
(sob desenvolvimento)
De botas vou ao rio,
mas de lá volto descalço
Uma publicação documental, um livro-arquivo, que reúne testemunhos, textos poéticos e objetos recolhidos durante o processo de investigação, constituindo um dispositivo documental e artístico de preservação da memória e das várias identidades do rio Almonda. Afluente do rio Tejo, estende-se desde a sua nascente, na Serra d'Aire, até à sua foz, na Azinhaga do Ribatejo.
Este projeto apresenta-se, nesta fase, como uma proposta de investigação e criação artística. Estrutura-se em torno da ideia de desenvolver um conjunto de pequenas publicações dedicadas ao território, constituindo uma coleção documental que reflita a memória e a identidade das comunidades ribeirinhas. A organização dos volumes acompanha o trajeto do rio, propondo um arquivo construído a partir das narrativas, das experiências e das matérias que o próprio território poderá revelar ao longo da investigação.

Com as margens bem cuidadas,
Caminhavam ao nascer do sol
Moças novas e casadas
Ao cantar do rouxinol.
A alegria da gente nova
E o cantar dos passarinhos
Eram duas lindas trovas
Que ouviam pelo caminho.
Eu mirava o alto choupo
Que vergava com o vento.
O freixo é mais firme
É frágil pensamento.
Também é frágil o chorão,
Eu miro aquela ramagem.
Ao fraco vento suão
O povo chama-lhe aragem.
Manuel Carvalho Simões,
Riachos em versos e outros versos



Eu lembro-me que antigamente íamos sempre ao rio lavar a roupa. As nossas mães e nós também… Nós íamos lavar a nossa roupa ao rio. Debaixo da ponte, às sombrinhas. Ó’pois, quando começaram a vir as máquinas de levar deixou de existir. Toda a gente começou a ter máquinas.
Levávamos um alguidar. Normalmente era um alguidar de zinco ou de barro, e íamos lá para baixo lavar a roupa nas pedras. Metíamo-nos no rio! Algumas pessoas que não podiam ir para dentro d’água tinham uma tábua de madeira onde se ajoelhavam.
E é assim, também havia as que lavavam roupa para fora. Eu sei de uma tia minha. Ela todas as semanas ia a Torres Novas, a cavalo num burro, buscar a roupa, lavá-la… E ia entregar a roupa a Torres Novas. E durante anos ela fez isso. E haviam outras que faziam isso.
Noémia de Deus Pereira
(…)
Eleva-se, rodopia na varanda das árvores do jardim
E nesse festim
O rio desejo
Envia-lhe um beijo
No limite da cascata
Na noite da amar
Lá foram os dois
A cidade abraçar
Maria Zabeleta
Roteiro Lírico do Rio Almonda



